De que adiantam todos os avanços da humanidade quando nos é indicado voltar à Era Medieval? Embora ultrapassado (nunca tenho tempo pra escrever sobre as coisas em dia), tenho a necessidade de comentar sobre as últimas da Igreja Católica que explodiram nesse mês de março.
Começando pelo menos abrangente: o caso da menina de nove anos que ficou grávida de gêmeos, através do estupro do próprio padrasto, e abortou os fetos. Incompreendido da gravidade da situação, que envolvia a saúde da própria menina – ninguém espera muita resistência por parte de uma criança de nove anos de 36kg, não é mesmo? –, o bispo d. José Cardoso Sobrinho excomungou da Igreja Católica todos os responsáveis pelo aborto. O padrasto da menina, como nada tem a ver com o ato, ficou impune das críticas do bispo. A situação, é claro, começou a pesar depois de pronunciamentos por parte do ministro da saúde e do presidente Lula, que condenaram a atitude do bispo, já que se tratava de um caso de risco de vida da menina. O Papa, que não fica fora de nenhuma discussão pendente aos seus interesses, alegou alguns dias depois que o vaticano não condena o aborto que envolta a saúde da grávida. Pronto, já temos uma contradição dentro da própria Igreja. Lembrando que por lei (um recurso dos homens, sem interferências divinas), o aborto terapêutico é totalmente autorizado.
Segundo caso: O Papa Bento XVI na África. Todos já se cansaram de ouvir sobre os imensos problemas do continente com relação à AIDS. Dois terços dos infectados concentram-se lá, e 75% dos óbitos africanos acontecem devido a esse vírus. Em visita a esse mundo, o pontífice fez questão de abominar o uso de camisinha em se tratando de prevenção à doença. Enquanto você estaria agora pensando “e vai ser um oba-oba sem proteção? A AIDS vai tomar o planeta!”, nosso querido papa já tinha a solução: recomendou a fidelidade no casamento e a castidade, ou seja, que os casais façam sexo somente para ter filhos, chega de sexo por prazer. É bem visível que essa
moda vai pegar entre os africanos, quando muitos, na verdade, nem católicos são! Mas é lógico que isso não ficaria avulso às divulgações do vaticano, não é mesmo?! Foi recomendado também que os católicos da África propaguem a religião e combatam a bruxaria e os maus espíritos. Depois dessa, certamente, os problemas da região mais miserável do mundo estarão resolvidos. Ha sim, vale lembrar que depois disso um bispo português aconselhou o uso de camisinhas por soro positivos…
Por quanto tempo teremos que conviver com um sistema de dogmas que já ultrapassou em muito nossos tempos? Desenvolvemos leis, tecnologias e métodos para conter o avanço de doenças, para procurar curas, proteger o Estado. Da última vez que aconteceram contradições na Igreja Católica, devido ao avanço do protestantismo, do mercantilismo e do comportamento dos clérigos, a “solução” encontrada foi a reativação do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) na Contra-Reforma. Felizmente, para nós cristãos, isso não deve voltar à tona. Saber-se-á agora o que vão inventar para manter um número considerável de fiéis sem alterar certas regras. Uma coisa é evidente: o poder de persuasão do vaticano andam nas casas negativas depois disso tudo.
São tantos casos que se transformam em conflitos com a Igreja – padres pedófilos dos Estados Unidos, pesquisas com células-tronco embrionárias, etc. – que já nem sabemos mais em que acreditar, se acreditamos no progresso humano, nas tecnologias, ou em entidades que ao longo da História desdobraram uma trajetória de mentiras. Serão, certamente, conflitos eternos entre o Homem e as divindades. Por esses motivos, quem sabe, que tantos ateus e tantas outras religiões cristãs estejam surgindo por aí. Talvez não seja a descrença com relação à existência de uma Força Maior, mas o conjunto de decepções que o velho sistema nos revela diariamente.
Nathan M. Catolino
obs.: A imagem presente nesta postagem consta de uma manifestação francesa ironizando as atitudes do papa.
só um complemento:
Vários prováveis – e até evidentes – motivos demonstram falhas na Lei Seca, a começar por ela mesma. A medida implica que nenhum motorista poderá dirigir após consumir uma gota se quer de álcool, um adorável bombom de licor já é o considerado suficiente para que um indivíduo, talvez voltando pra casa depois de um xadrez com os amigos e uma doce sobremesa, seja devidamente multado, acusado de “motorista alcoolizado” por um aparelho que tem uma margem de erro próxima aos limites. Isso mesmo, o bafômetro (instrumento que calcula a quantidade de álcool por mililitro de sangue no corpo, usado pelos policiais para multar ou prender motoristas bêbados nas blitz) contém uma margem de erro próxima aos 0,2mg/ml de sangue, o que torna até mesmo injustas algumas medições.
