Chocante e inusitada, a brusca mudança que o Ministério da Educação anunciou para o Enem já deste ano talvez seja o início de uma revolução no ensino do Brasil. Há muito que o modelo de seleção dos vestibulares é questionado pela sua alta especificidade e exigência de decorebas sem cabimento. Outro assunto comentado principalmente entre os estudantes é que o modelo agora antigo do exame nacional do ensino médio não constava de conhecimento escolar em peso, mas sim de um tanto de sorte e razoável interpretação. Já estava mais que na hora dessa realidade ganhar um fim – ou pelo menos começar um processo que leve a isso.
Em tons breves, resumindo a nova proposta do MEC para o Enem, tem-se que este ano os estudantes farão uma prova contendo 200 questões abordando quatro áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Exatas e Ciências Humanas) e uma redação, tudo isso dividido em dois dias de testes. O resultado do exame valerá para diversas universidades, inclusive as federais, nas quais o objetivo do governo é a completa abolição do concurso vestibular próprio, unificando, portanto, o sistema de seleção nacional. Isso mesmo, chega de inúmeros vestibulares e taxas exorbitantes cobradas por cada instituição para a realização da prova. Através do novo Enem será possível que o estudante escolha, num sistema semelhante ao ProUni, cinco cursos e cinco universidades do país que desejaria cursar, para então ser avaliado por meio de comparações entre sua nota e a de seus concorrentes no exame.
Mas, como nem tudo são flores, pelo menos para as decisões governamentais, várias universidades já questionaram esse novo processo de seleção, e se recusam a aderi-lo, pelo menos esse ano, uma vez que seus vestibulares já estão sendo preparados. O MEC, por conta, deu o prazo de até o final deste mês (abril) para que cada instituição publique oficialmente a maneira de como utilizará as notas do Enem. Algumas, como a UFPR, pretendem manter pelo menos uma fase do seu concurso, a fim de melhor seleção dos candidatos. O governo, que anda fazendo a maior propaganda do seu novo sistema, deixou claro que nas universidades federais o Enem fará parte de algum critério de seleção, quando não o único. E não são somente as federais que estão por aderir a nova medida. Mais de 500 universidades particulares estão entrando na lista dos que terão ainda este ano o novo sistema, lembrando que as estaduais ficam no mesmo critério, optam ou não pela utilização da nota. Além disso, pretende-se a aplicação de mais de uma prova anual, para que os alunos que não surtirem sucesso em uma delas tenham chance de recuperação.
Pode parecer amedrontante, especialmente para quem faz o terceiro ano do Médio agora, uma mudança tão inusitada. Mas na verdade, não é motivo para tanta má impressão assim. Os que já fizeram um Enem sabem o quanto a prova é cansativa, superlotada de textos repetitivos sobre os índios, o aquecimento global e a Amazônia. Ninguém aguentava mais abrir uma prova daquelas e deparar-se com as mesmas coisas. A matemática passava envergonhada pela prova, que quando a pedia, era um probleminha sobre dados, jogo da velha ou sobre as terras de um agricultor. A nova proposta inova nesses quesitos, uma vez que pretende utilizar os ensinamentos adquiridos pelo aluno durante sua formação no Ensino Médio. Calma, isso não quer dizer decorebas como “sen(A + B) = senA.cosB + senB.cosA”, pelo contrário, fórmulas toscas como essa serão dadas na prova. O destino é avaliar a competência do aluno ao usá-las, não em decorá-las.
Penso que essa revolução no Enem – que copia o modelo americano de seleção – seja o início de novos rumos para a educação brasileira. O exame vai exigir mais das salas de aula, e isso tende a melhorar progressivamente o sistema de ensino nacional, formando estudantes mais competentes ao realizar uma prova que exija seus conhecimentos escolares. Outro ponto positivo é que se pode notar a resposta do Brasil frente às críticas que se sucederam ano passado, quando o resultado do Pisa deixou em situação humilhante os universitários brasileiros diante das notas estrangeiras (ver postagem sobre o Pisa, de Agosto passado). Isso mostra que estamos procurando um caminho de melhorias, e o ctrl+v dos modelos que funcionaram é a melhor maneira de administrar essa situação.
Maiores resultados poderão ser avaliados numa questão de tempo. Sinceramente torço muito para que esse novo rumo seja o motivo de orgulho pelo desenvolvimento do país, que tanto peca com a educação. E se for notado que não valeu a pena, o jeito é procurar uma construção mais sólida. O que vale é sair da mesmice.
Nathan M. Catolino

Assim como segue seu nick, o Mol merecia mesmo uma atualização, e o assunto em si também está no momento certo.
Mudar o rumo das questões da prova se faz muito útil, umas vez que as agora antigas 63 questões avaliavam apenas os candidatos que tinham maior capacidade a suportar os textos gigantes do teste; Basta ver um exercício isolado do ENEM na apostila pra rir da situação ou apostar no obvio ;D
HASUDHASUDASDHSUA ;@
Abraço Mol :}
Por: Douglas em Abril 19, 2009
às 3:58 am
É tomara que de certo, e que a educação do brasileiro ganhe com isso, que tenhamos um ensino de qualidade, que a escola publica se torne um pouco melhor e que mais pessoas tenham acesso a universidade, porque o caminho é a educação. xD
Por: Guilherme em Abril 19, 2009
às 9:45 pm
Os textos do Mol, são sempre muito bem escritos. Esse não é diferente. Parabéns Nathan!
Entretanto, acho que novamente o foco desse problema foi desviado por nossos governantes, que insistem em tentar tapar o sol com a peneira. Seja implantando cotas, que colocam pessoas que não estão suficientemente preparadas em instituições de nível superior, aumentando as desistências, ou ainda agora, modificando o sistema de avaliação para o ingresso nas universidades. O idéia pode até ser boa, mas não muda a qualidade de ensino das instituições publicas de ensino fundamental e médio.
novamente Parabéns mol XD
Por: Thiago Rodrigues em Abril 20, 2009
às 1:47 am
Adorei a Matéria, espero que o Governo esteja no caminho certo fazendo uma mudança tão significativa.
Beijos
Por: Neiva em Abril 21, 2009
às 9:23 pm