Publicado por: Nathan | Setembro 12, 2009

Saída de Emergência

UFPR me consome e me desfaz.

Volto assim que puder.

Publicado por: Nathan | Agosto 8, 2009

Férias Suínas

Penso que ninguém esperava do cursinho teria uma semana de recesso, ainda mais faltando poucos meses para o vestibular. Pois é, para o alívio dos atrasados e desespero dos anciosos, eis que vivemos um momento sem precedentes. Não é uma parada sem motivos, como todos sabemos, a razão tem todo o sentido, ninguém quer ficar dando sopa a um vírus do qual não temos certeza ainda das suas proporções (prefiro juntar-me às massas e iludir-me nessa verdade).

Charge gripe suinaNunca uma pandemia foi tão popular! Quando se fala em disseminação de enfermidades o que se percebe é um desconhecimento profundo por parte da população de média e baixa renda do país, como no caso da vacinação contra Varíola, que rendeu grandes confusões no início do século passado, na Revolta da Vacina. O que acontece atualmente é resultado da difusão ilimitada dos meios de comunicação, proporcionando pelo menos uma noção sobre  a disseminação do H1N1, especialmente indicações de prevenção e contágio. Reportagens sobre antigas doenças que dizimaram grande parte da população também ajudam a conscientizar as massas. Prova disso é a venda de álcool gel em farmacias e supermercados – o produto, junto com máscaras e lenços descartáveis,  está esgotado em grande parte dos estabelecimentos; empresas alcooleiras já obtiveram um lucro de 80% em relação ao mês passado.

Quanto às noticias liberadas em telejornais, há muitas céticas, das que dizem não haver problema algum. A mídia de vez em quando me parece meio contraditória quanto a velocidade de contaminação das pessoas. Uma hora se vê no jornal que os índices de mortalidade são comparáveis, ou até menores, do que o influenza (gripecharge_gripe_suina comum), falam que ninguém deve se assustar. Um tempo depois há noticiários um tanto desesperadores indicando medidas de prevenção ao H1N1 – Fora a própria internet: essa semana cheguei a ver dicas de prevenção no Baixaki, achei o cúmulo! – e horas depois rebatem alguma reportagem escandalizando a situação. Mas, como dizem, está tudo sob controle. Isso só piora! Quanta gente não faz má interpretação disso e vai desfilar seu sistema imunológico no shopping, ou fazer charme no cinema. O bar continua lotado, tenho certeza. É por isso que estamos saturados de avisos de prevenção!

É visível o quanto fatos são ocultados, mortes suspeitas ficam num eterno “exame de verificação” até cairem no esquecimento, outros simplesmente saem de cena sem ao menos virarem notícias (muitos outros). Quem foi a um centro de saúde nas últimas semanas deve saber muito bem como vão as coisas por lá. São mínimos os depoimentos de pessoas que se salvaram da gripe, mas resistem ao dizer que o índice de mortes é em torno de 0,5%. As aulas estão paradas a toa então? Lógico que não! Tanto que o próprio governador resistiu ao decretar recesso às entidades de ensino, agora libera mais uma semana. O ministro da saúde diz ser um “disparate” manter alunos sadios fora da escola, então por que mantemos essa infeliz paralização? Pode ter certeza, ninguém cessaria as aulas e abdicaria recompensar em dezembro essas duas semanas perdidas se não tivesse o devido motivo, apesar das instituições que pararam por pressão.

Agora, de uma coisa podemos ter certeza: informações estão sendo escondidas. Tanto em relação à dimensão dessa catástrofe quanto às suas origens. Pode ser boato, mas há conversas de que essa variedade do H1N1 é proveniente de  acidentes em pesquisas com o vírus da Gripe Espanhola (1918), que já estariam sendo feitas há anos, com o propósito da própria prevenção a uma mutação do influzenza. É… talvez elas deram errado, ou quem sabe os cientistas fizeram uma previsão absolutamente correta. Outros boatos, um tanto mais desesperançosos, culpam laboratorios norte-americanos de terem espalhado uma manipulação de variedades do influenza e impiedosamente soltado à luz da sorte, para conter o aumento populacional desenfreado ou gerar notícias para ocupar o tempo do planeta e disfarçar os sintomas da crise econômica no cenário mundial. Penso ser meio exagerado, extremista demais. Mas faz sentido. Acredito que o que conta mais nesse momento é a prevenção. Agora o negócio ja está a solta, o teto de vidro é de todo o mundo, ninguém sabe se é ou não imune e até quando isso vai durar. Faço a minha parte, quanto ao resto, lavo minhas mãos, literalmente.

* Para quem se interessa em ler um artigo interessante, de 2005: clique aqui

* Um vídeo intrigante:

Publicado por: Nathan | Julho 19, 2009

A mesma praça, o mesmo banco

Tudo é igual. É infinitamente complicado para quem já viveu as experiências da metrópole fazer uma pequena readaptação ao universo simples do interior, mesmo que por duas semanas de férias. Elas passam ráridas, afinal é bem melhor dormir ilimitadamente e pensar no que passa na televisão, entretanto dá uma vigorante saudade da cidade grande, do movimento, da novidade. O tempo aqui passa mais lento, não digo com relação à duração psicologica dos dias (como são férias, sempre passam rápido demais), mas com o acúmulo de informações. Na capital somos bombardeados de novidades, cruzamos com pessoas apressadas nas ruas, carros o tempo todo, o dia passa voando ao mesmo tempo que parece nunca acabar.No interior reina a tranquilidade, se há uma novidade é porque alguem morreu, uma menina está grávida, fulano ficou com ciclana, etc. Surpreendente, mas ao mesmo tempo inútil.

O que mais faz falta é o clima de incerteza e mudança. Aqui nada muda, você pode vir uma vez ao ano ou daqui há cinco anos, a praça vai estar ali, firme e forte, o bar continua com a mesma pintura desgastada, as velhas fofoqueiras permanecem na calçada. Há quem goste, é evidente, mas me pergunto se a minha geração é totalmente conformada com essa realidade, se alguém gosta de mofar dentro de um ovo já tendo de fato tiver conhecido o ambiente do movimento, das opções, liberdade de escolha – se quiser sair a noite aqui, só tem uma opção: a praça e a lanchonete da praça. Pode parecer ignorancia minha, falta de compreensão, mas esse ambiente me parece mais convidativo às gerações mais velhas, pessoas que já viveram seus anos de ouro e agora clamam por sossego, não para uma juventude efervecente, sedenta pelos acontecimentos.

É um absurdo recorrer a insanidades como as teorias de determinismo social, apesar de encaixarem-se cada vez melhor em alguns grupos dessa cidade. Não quero dizer que ‘quem nasce na vila é vileiro’, mas uma onda de influências percorre cada um que passa um tempinho aqui. Quando recém chegado os custumes dão uma visão de retrocesso, umas semanas depois saber quem está passando em frente de casa é uma rotina, olhar para dentro dos vidros dos carros deixa de ser ridículo. A curiosidade percorre o espírito de todos, e embora aconteça nos mais diversos condomínios cidades afora, é diferente. Pelo menos não é a única engrenagem da convivência, o motor dos assuntos. Particularidades da cidade pequena.

**Vai chegando a hora de voltar para a capital, e sinceramente não sei como vou manter meus textos no blog. Quando estou convivendo com a agitação das aulas as ideias fluem constantenmente, mas não tenho tempo de escrever. Quando estou preguiçosamente sentado na frente do computador nas férias as ideias não aparecem. Quem sabe boas redações não resolvam…

Publicado por: Nathan | Junho 21, 2009

Aguarde.

Publicado por: Nathan | Maio 24, 2009

Death Note

Numa aula de português, quando o professor apresentava alternativas para os vestibulandos informarem-se  sem colocar em cheque os horários de estudo, foi proposto que os alunos viessem até o colégio com seus aparelhos de som sintonizando frequências de noticiários, e num plano até mais extrapolador, que escutassem as notícias no ponto de ônibus e no trajeto veicular até suas casas. Essa última sugestão foi acolhida com uma uníssona ironia dos estudantes [éééé!], que obviamente viram as possibilidades de um assalto no momento em que estariam ostentando seus aparelhinhos de som no transporte público. O professor, com certo ar de indignação, pronuncia: “isso porque Curitiba é considerada uma cidade de primeiro mundo!”.

Por quanto tempo ficaremos na mira dos fora da lei? Teremos que nos privar do prazer e da necessidade de usufruir de nossos bens pessoais pelo medo perdê-los? Estamos perdendo nossa liberdade em detrimento dos Outros. E o pior, é que esses Outros são sujos, corruptos, falsos. O mundo está cheio de falhas, e embora na nossa realidade tenhamos que aceitá-las concomitantemente, é plausível alguns momentos de delírio para refletir sobre o que faríamos se em nossas mãos fosse depositada a oportunidade de fazer a justiça, de decidir quem deve e quem não deve ser punido. Tenho certeza que muitas pessoas numa ocasião como essa não deixariam escapar a oportunidade de viver melhor, de sacrificar seu tempo e seu destino para fazer o bem e livrar o mundo das impurezas que o corrompem.

É nesse contexto que se insere a saga de Death Note. Pode parecer insano fazer dois parágrafos repletos de aprofundamentos tendenciosos para acabar falando de um anime japonês recheado da mais pura ficção, mas por trás de monstros e cadernos malignos há uma concepção bastante crítica das reflexões que propus à pouco no texto. A série conta com 37 episódios embalsamados em ação e aventura, num jogo de estratégias entre Raito Yagami, sagaz e intelectual estudante que encontrou um caderno dotado do poder de tirar a vida da pessoa cujo nome nele fosse escrito (desde que o rosto fosse conhecido pelo realizador da ação) e o misterioso L, força maior de inteligência japonesa. Raito, ao ter a posse do death note, a vê como oportunidade de fazer justiça com as próprias mãos, condenando todos os criminosos noticiados na TV a ataques cardíacos, aspirando ser o “deus do novo mundo”.

death-note1É um desejo relativamente comum, como já foi discutido acima, se por outro ponto de vista não significasse a obstrução de um direito básico do ser humano: o direito à vida. Chega-se ao ponto em que o certo e o errado se fundem, num misto no qual não é possível saber quem é que faz a justiça na história: se é Raito – nessa altura conhecido em todo mundo pelo codinome Kira – ou se é a polícia, que caça o assassino dos milhares de assassinos. O protagonista torna-se um ícone por vezes malígno ao abusar dos meios mais ilícitos possíveis para alcançar seus objetivos, e, na medida em que vai limpando a sujeira do planeta, ganha opositores e seguidores, alguns até fanáticos pelo seu trabalho, endeusando-o.

Death Note retrata bem e eterna oposição entre o bem e o mal, ambos casados na entidade de um homem que deseja benfeitorias no lugar onde vive, que se nutre da força de vontade de criar um mundo livre de criminalidades, mesmo que através da coerção que faz com os bandidos ao puni-los com a mais severa das sentenças. Dentro disso, sempre prevalecerá a dualidade de intenções, na qual o discernimento entre punir os criminosos e tirar a vida de seres humanos fica na visão de quem tem o poder de praticar essas ações.

Saindo do plano surrealista do anime japonês, fica um gostinho de exceder a razão e corromper-se em avaria de quem já é corrompido, embora seja eticamente errado. Isso acontece porque estamos fartos de viver a mercê de inseguranças e quando nos deparamos com a chance de fazer valer toda essa indignação ultrapassamos os limites da própria apreensão do certo e do errado, pois o que interessa é livrar-se do que consideramos ruim para nós mesmos e para as outras pessoas que enxergamos como “do bem”. Tanto faz se para muitos você seria visto como um assassino, desde que para você a coisa certa estivesse sendo feita.

Nathan M. Catolino

Obs.: Deixo abaixo um dos sites difusores de animes como o Death Note, inclusive o próprio, para os interessados em ver com os próprios olhos toda dose de estratégia que compõe o pensamento de Kira na sua trajetória a “deus do novo mundo”. Recomendo. Vale a pena “perder” algumas horas para ter o prazer de assistir a uma história tao envolvente quando à do caderno que mata pessoas.

http://www.animeshade.com/

Publicado por: Nathan | Maio 10, 2009

Nossa “Sorte de Hoje”

      “Sorte de hoje: O grande prazer da vida é fazer o impossível”.

De fato, a humanidade sempre procurou percorrer a trilha do impossível, eterno insatisfeito que é o homem. Quis calor, descobriu o  fogo; quis praticidade, desenvolveu a roda; quis velocidade, projetou os automóveis; chegou aos céus, ao espaço sideral, à Lua! Uma trajetória de sucessos e insucessos que poucos já vieram a pensar o quanto, por trás de tudas essas conquistas, fomos movidos à insatisfação com o estado momentâneo das coisas.

fome2-1Todas essas invenções que antes prometiam trazer-nos a uma realidade mais prática, para uma vida tranquila, agora, numa visão aérea, é fácil notar o quanto estamos subordinados às criações dos gênios, e o quanto elas tornaram esse mundo caótico. Nas ruas, uma multidão cruzando-se como ninguém fosse semelhante, movimentados pelo medo, pela pressa, pelo egoísmo. As nossa vida, em vez de tranquila, tornou-se acelerada, raiz todos os tipos de distúrbios que hoje existem, como stress, depressão, e que antes não passavam de mera frescura.

071126_f_025 O caso é que as coisas chegaram a tal ponto de nossa geração partir pra ignorância . O gosto que querer sempre o impossível leva como enchurrada nossos valores, nossa capacidade de pensar no mal que fazemos ao planeta vivendo nessa rotina instigada de consumo, de inveja, e de má fé quando ao nosso próprio futuro. Será que é tão difícil perceber que chegou a hora de parar? 

Chega de arrastar frases feitas sobre o fim do mundo, aquecimento global, furacão sei-lá-onde. É notável que todos esses costumes que crescemos e fomos vítimas ao longo de nossas vidas estão com os dias contados, assim como nós. Jogar a culpa nos outros todos sabemos fazer muito bem, e não nos damos conta de que estamos, na realidade, apunhalando as próprias costas. Penso que é tarde para uma  proposta para consertar os estragos que foram feitos em nossa natureza, em nosso habitat, e no modo de vida das outras criaturas, que foram ao longo da História sacrificadas pelos costumes fétidos que optamos usar. Tudo na velha intenção de fazer o bem.

Alguma hora, de algum lugar, uma solução terá que brotar para que, dessa vez, possamos fazer verdadeiramente o impossível, o bem de todos, e ter o gosto de pronunciar em nome da humanidade os prazeres da vida.

 

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Nathan M. Catolino

Publicado por: Nathan | Abril 29, 2009

Coff Coff & Ronc Ronc,

Se a gripe suína fosse disseminada assim como suas notícias pela internet já estaríamos todos terminalmente contaminados. Porém, infelizmente, não é o caso de dizer que a mídia está sendo sensacionalista e tentando colocar em pânico qualquer um que conheça um turista mexicano. Os riscos de uma pandemia da doença são a cada dia mais crescentes, e os níveis de risco aumentam cada vez que um avião mexicano pousa em algum outro país.

charge-2804O vírus da gripe suína – cientificamente, o H1N1 – é uma combinação das variedades americana e eurasiática, em que provavelmente tenham sofrido mutação devido ao contágio simultâneo das variedades em porcos do México. A recombinação gerou uma espécie mais adaptada dos vírus, que além de passar do animal para humanos, como acontecido com a gripe aviária anos atrás, também pode disseminar-se entre os humanos, através do simples contato com pessoas infectadas, do mesmo jeito que uma gripe comum. As preocupações surgiram exatamente por esses motivos: a simples disseminação devido a capacidade de infecção pelo ar.

Embora matar os porcos não seja uma solução das mais viáveis, o Egito já o fez, na esperança de acalmar – para mim, enganar – a maior população arábica do mundo, que considera o porco um animal amaldiçoado. Quanto a soluções mais racionais, a OMS (Organização Mundial de Saúde) procura o mais rápido possível por uma vacina, e já pediu ajuda, aliás, ao instituto Butantan, que produz 90% das vacinas e soros nacionais e que colaborou com o desenvolvimento da gripe comum, influenciada pelas mudanças de temperatura (daí o nome influenza ao grupo). Afeta a situação saber que a criação de uma vacina demora meses (seis, em planos otimistas). Por isso, o uso de máscaras (embora sua eficácia ainda seja contestada) por pessoas que convivem em locais de risco é altamente recomendado, conforme nos portos que recebem importados mexicanos e estadunidenses, como o Porto de Santos. Se o risco de contágio aumentar, será preciso o fechamento de escolas e locais públicos fechados, assim já dito pelo presidente americano Barack Obama.

Enquanto autoridades tentam encontrar um meio de controlar a prapagação do H1N1 e reverter o quadro de contágio que hoje (29/04/2009) é de nível 5 para o risco de pandemia. Penso que é meio inevitável a propagação da gripe suína pelo planeta, mas acredito que estamos mais preparados para viver uma situação de alastramento de doença. Resta à população conter o pavor de contrair a gripe e tomar cuidados básicos, pois, embora ainda não tenham identificado casos no Brasil, a qualquer momento uma adversidade pode acontecer.

* 30/04/2009:  A disseminação continua! Hoje foi notificado o primeiro caso de gripe suína da América do Sul, no Peru. Os vendedores ambulantes da capital, Lima, deixam o investimento em doces e bebidas para o novo foco: máscaras cirúrgicas. O número de mortos no méxico já subiu para 12, e os casos confirmados são de 95, diferença de apenas 4 pacientes dos Estados Unidos, com 91 casos confirmados. Até quando o Brasil resistirá?

MAIS NOTÍCIAS: A qualquer momento nos portais de notícias G1 e UOL. Paro por aqui.

Publicado por: Nathan | Abril 20, 2009

É proibido fumar, diz o aviso que eu li

O trecho da letra do skank começa finalmente a virar realidade no Brasil, com certo atraso, pra variar. O governo de São Paulo iniciou recentemente uma série de medidas antifumo, a fim de proporcionar o maior bem-estar da população, tanto de fumantes quanto de não fumantes (fumantes passivos) e principalmente desestimular a atividade daqueles que ainda insistem em ser uma chaminé ambulante.

alistair_veryard.01Países como a Inglaterra e os Estados Unidos vêm restringindo cada vez mais o cerco para quem curte ter os pulmões apodrecidos, através de políticas tributárias e legislativas, e agora chegou a vez brasileira no assunto. A primeira medida eficiente foi o aumento dos impostos sobre o preço do cigarro, que aumentaram em 23%. Fato ótimo, uma vez que estudos da OMS (Organização Mundial de Saúde, da ONU) indicam que a cada 10% de aumento na carga tributária sobre o preço do cigarro o consumo diminui 4% nas nações desenvolvidas e o dobro nos países em desenvolvimento. Além do mais, toda a grana arrecadada é investida na previdência social, no seguro-desemprego e na saúde, para poder compensar os infinitos gastos que os fumantes trazem para o Estado. Semana passada os Estados Unidos triplicaram os impostos incidentes sobre o tabaco, que passou de 0,39 dolares o maço para 1,01 dólar. Espetacular. Na União Européia, pelo menos 57% do preço pago pelo maço vai para as contas do governo., tudo isso para investimentos variados na saúde pública.

Outra decisão eficiente foi a do governador de São Paulo, José Serra, que merece os parabéns. Serra propôs o fim dos fumódromos em 2007, e agora seu projeto está apovado e já posto em prática. Nele consta que não é mais permitido acender cigarros em estabelecimentos fechados, como bares, shoppings, e principalmente nos fumódromos, já que é comprovado sua ineficácia em isolar a fumaça. Também não se pode mais fumar debaixo de toldos. O fumo fica restrito para o carro, a casa e o ar livre. Nada muito revolucionário se compararmos com medidas tomadas em Londres no ano passado ou em Nova York em 2003, quando tragar em locais fechados tornou-proibidose proibido. Ainda assim, essa é a lei mais restritiva do Brasil com relação a esse tipo de prática, e se continuar nesse ritmo, não demorará até que se estenda para todo o território nacional. Afinal, é realmente injusto para não fumantes ter que suportar metros cúbicos de fumaça toda vez que vai a um restaurante ou barzinho, que normalmente não respeitam o bom senso de impedir o fumo nos seus interiores. Outro ponto de comemoração dos não fumantes diz respeito à saúde, já que da ponta de um cigarro sai o triplo de nicotina e monóxido de carbono e cinquenta vezes mais substâncias cancerígenas do que entra pela boca do fumante.

Fumar é caro, e será ilegal na maioria dos ambientes em breve. Torço, aliás, para que com o tempo o narguilé seja educadamente inserido em tais regulamentos. Ninguém é obrigado a ser cercado de fumaça quando todo mundo sabe os problemas que isso causa. Fumar hoje em dia é uma questão de inteligência. Nunca se dispôs de tanto conhecimento dos problemas que todos estão envolvidos quando em contato direto ou indireto com a fumaça do cigarro. Também é injusto para os que estão tentando conter seu vício o convivio com pessoas fumantes, tanto no trabalho como no seu próprio condomínio – na Califórnia, a restrição chega a afetar moradores de apartamentos. Não adianta pensar que de uma hora para outra tudo estará resolvido, mas é preciso dar valor a cada passo que a humanidade dá em favor da melhor qualidade de vida. Felizmente, o mundo trabalha em favor do fim dos viciados, para que, quem sabe, ainda que sendo utópico demais, gerações futuras se perguntem quantos mililitros de cérebro a menos tinham seus antepassados, chaminés ambulantes.

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Nathan M. Catolino

Publicado por: Nathan | Abril 19, 2009

Onde vai parar o Enem?!

Chocante e inusitada, a brusca mudança que o Ministério da Educação anunciou para o Enem já deste ano talvez seja o início de uma revolução no ensino do Brasil. Há muito que o modelo de seleção dos vestibulares é questionado pela sua alta especificidade e exigência de decorebas sem cabimento. Outro assunto comentado principalmente entre os estudantes é que o modelo agora antigo do exame nacional do ensino médio não constava de conhecimento escolar em peso, mas sim de um tanto de sorte e razoável interpretação. Já estava mais que na hora dessa realidade ganhar um fim – ou pelo menos começar um processo que leve a isso.

Em tons breves, resumindo a nova proposta do MEC para o Enem, tem-se que este ano os estudantes farão uma prova contendo 200 questões abordando quatro áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Exatas e Ciências Humanas) e uma redação, tudo isso dividido em dois dias de testes. O resultado do exame valerá para diversas universidades, inclusive as federais, nas quais o objetivo do governo é a completa abolição do concurso vestibular próprio, unificando, portanto, o sistema de seleção nacional. Isso mesmo, chega de inúmeros vestibulares e taxas exorbitantes cobradas por cada instituição para a realização da prova. Através do novo Enem será possível que o estudante escolha, num sistema semelhante ao ProUni, cinco cursos e cinco universidades do país que desejaria cursar, para então ser avaliado por meio de comparações entre sua nota e a de seus concorrentes no exame.

enem 2009Mas, como nem tudo são flores, pelo menos para as decisões governamentais, várias universidades já questionaram esse novo processo de seleção, e se recusam a aderi-lo, pelo menos esse ano, uma vez que seus vestibulares já estão sendo preparados. O MEC, por conta, deu o prazo de até o final deste mês (abril) para que cada instituição publique oficialmente a maneira de como utilizará as notas do Enem. Algumas, como a UFPR, pretendem manter pelo menos uma fase do seu concurso, a fim de melhor seleção dos candidatos. O governo, que anda fazendo a maior propaganda do seu novo sistema, deixou claro que nas universidades federais o Enem fará parte de algum critério de seleção, quando não o único. E não são somente as federais que estão por aderir a nova medida. Mais de 500 universidades particulares estão entrando na lista dos que terão ainda este ano o novo sistema, lembrando que as estaduais ficam no mesmo critério, optam ou não pela utilização da nota. Além disso, pretende-se a aplicação de mais de uma prova anual, para que os alunos que não surtirem sucesso em uma delas tenham chance de recuperação.

Pode parecer amedrontante, especialmente para quem faz o terceiro ano do Médio agora, uma mudança tão inusitada. Mas na verdade, não é motivo para tanta má impressão assim. Os que já fizeram um Enem sabem o quanto a prova é cansativa, superlotada de textos repetitivos sobre os índios, o aquecimento global e a Amazônia. Ninguém aguentava mais abrir uma prova daquelas e deparar-se com as mesmas coisas. A matemática passava envergonhada pela prova, que quando a pedia, era um probleminha sobre dados, jogo da velha ou sobre as terras de um agricultor. A nova proposta inova nesses quesitos, uma vez que pretende utilizar os ensinamentos adquiridos pelo aluno durante sua formação no Ensino Médio. Calma, isso não quer dizer decorebas como “sen(A + B) = senA.cosB + senB.cosA”, pelo contrário, fórmulas toscas como essa serão dadas na prova. O destino é avaliar a competência do aluno ao usá-las, não em decorá-las.

Penso que essa revolução no Enem – que copia o modelo americano de seleção – seja o início de novos rumos para a educação brasileira. O exame vai exigir mais das salas de aula, e isso tende a melhorar progressivamente o sistema de ensino nacional, formando estudantes mais competentes ao realizar uma prova que exija seus conhecimentos escolares. Outro ponto positivo é que se pode notar a resposta do Brasil frente às críticas que se sucederam ano passado, quando o resultado do Pisa deixou em situação humilhante os universitários brasileiros diante das notas estrangeiras (ver postagem sobre o Pisa, de Agosto passado). Isso mostra que estamos procurando um caminho de melhorias, e o ctrl+v dos modelos que funcionaram é a melhor maneira de administrar essa situação.

Maiores resultados poderão ser avaliados numa questão de tempo. Sinceramente torço muito para que esse novo rumo seja o motivo de orgulho pelo desenvolvimento do país, que tanto peca com a educação. E se for notado que não valeu a pena, o jeito é procurar uma construção mais sólida. O que vale é sair da mesmice.

 

 

Nathan M. Catolino

Publicado por: Nathan | Abril 10, 2009

Feliz Páscoa

Ganhar um ovo de chocolate é o suficiente para você? Não estou esperando uma resposta como “não, ganhar dois seria melhor!”.

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Quando os feriados vão se aproximando é natural que todos vivamos a expectativa de desenvolver o ócio por três breves dias, saboreando delícias do cacau. O feriado chegou, e o que menos importa são os chocolates. Você já parou para pensar no quanto o mundo está desorganizado, desunido, abalado por desastres, fome, miséria, desprezo, e tantas outras adversidades, enquando a sua pessoa não faz nada a não ser contribuir para o caos?

A Páscoa é – ou deveria ser – para os cristãos um período de renovação, um momento único para repensar nas atrocidades que temos feito e tomar novos rumos a partir da segunda-feira. Se tudo isso fosse uma mentira, o tão caro ovo da páscoa não seria um ovo, símbolo do nascimento, do recomeço. O coelho, símbolo da fertilidade, poderia muito bem ser a analogia da propagação de novos ideais ao planeta. Seria bom se fosse.

Quando abrir seu ovo de chocolate, pelo menos deseje o renascimento para alguém.

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