Publicado por: Nathan | Junho 21, 2009

Aguarde.

Estou impedido de escrever por causa do vestibular da UEM que está chegando. Paciência é uma virtude.

Publicado por: Nathan | Maio 24, 2009

Death Note

Numa aula de português, quando o professor apresentava alternativas para os vestibulandos informarem-se  sem colocar em cheque os horários de estudo, foi proposto que os alunos viessem até o colégio com seus aparelhos de som sintonizando frequências de noticiários, e num plano até mais extrapolador, que escutassem as notícias no ponto de ônibus e no trajeto veicular até suas casas. Essa última sugestão foi acolhida com uma uníssona ironia dos estudantes [éééé!], que obviamente viram as possibilidades de um assalto no momento em que estariam ostentando seus aparelhinhos de som no transporte público. O professor, com certo ar de indignação, pronuncia: “isso porque Curitiba é considerada uma cidade de primeiro mundo!”.

Por quanto tempo ficaremos na mira dos fora da lei? Teremos que nos privar do prazer e da necessidade de usufruir de nossos bens pessoais pelo medo perdê-los? Estamos perdendo nossa liberdade em detrimento dos Outros. E o pior, é que esses Outros são sujos, corruptos, falsos. O mundo está cheio de falhas, e embora na nossa realidade tenhamos que aceitá-las concomitantemente, é plausível alguns momentos de delírio para refletir sobre o que faríamos se em nossas mãos fosse depositada a oportunidade de fazer a justiça, de decidir quem deve e quem não deve ser punido. Tenho certeza que muitas pessoas numa ocasião como essa não deixariam escapar a oportunidade de viver melhor, de sacrificar seu tempo e seu destino para fazer o bem e livrar o mundo das impurezas que o corrompem.

É nesse contexto que se insere a saga de Death Note. Pode parecer insano fazer dois parágrafos repletos de aprofundamentos tendenciosos para acabar falando de um anime japonês recheado da mais pura ficção, mas por trás de monstros e cadernos malignos há uma concepção bastante crítica das reflexões que propus à pouco no texto. A série conta com 37 episódios embalsamados em ação e aventura, num jogo de estratégias entre Raito Yagami, sagaz e intelectual estudante que encontrou um caderno dotado do poder de tirar a vida da pessoa cujo nome nele fosse escrito (desde que o rosto fosse conhecido pelo realizador da ação) e o misterioso L, força maior de inteligência japonesa. Raito, ao ter a posse do death note, a vê como oportunidade de fazer justiça com as próprias mãos, condenando todos os criminosos noticiados na TV a ataques cardíacos, aspirando ser o “deus do novo mundo”.

death-note1É um desejo relativamente comum, como já foi discutido acima, se por outro ponto de vista não significasse a obstrução de um direito básico do ser humano: o direito à vida. Chega-se ao ponto em que o certo e o errado se fundem, num misto no qual não é possível saber quem é que faz a justiça na história: se é Raito – nessa altura conhecido em todo mundo pelo codinome Kira – ou se é a polícia, que caça o assassino dos milhares de assassinos. O protagonista torna-se um ícone por vezes malígno ao abusar dos meios mais ilícitos possíveis para alcançar seus objetivos, e, na medida em que vai limpando a sujeira do planeta, ganha opositores e seguidores, alguns até fanáticos pelo seu trabalho, endeusando-o.

Death Note retrata bem e eterna oposição entre o bem e o mal, ambos casados na entidade de um homem que deseja benfeitorias no lugar onde vive, que se nutre da força de vontade de criar um mundo livre de criminalidades, mesmo que através da coerção que faz com os bandidos ao puni-los com a mais severa das sentenças. Dentro disso, sempre prevalecerá a dualidade de intenções, na qual o discernimento entre punir os criminosos e tirar a vida de seres humanos fica na visão de quem tem o poder de praticar essas ações.

Saindo do plano surrealista do anime japonês, fica um gostinho de exceder a razão e corromper-se em avaria de quem já é corrompido, embora seja eticamente errado. Isso acontece porque estamos fartos de viver a mercê de inseguranças e quando nos deparamos com a chance de fazer valer toda essa indignação ultrapassamos os limites da própria apreensão do certo e do errado, pois o que interessa é livrar-se do que consideramos ruim para nós mesmos e para as outras pessoas que enxergamos como “do bem”. Tanto faz se para muitos você seria visto como um assassino, desde que para você a coisa certa estivesse sendo feita.

Nathan M. Catolino

Obs.: Deixo abaixo um dos sites difusores de animes como o Death Note, inclusive o próprio, para os interessados em ver com os próprios olhos toda dose de estratégia que compõe o pensamento de Kira na sua trajetória a “deus do novo mundo”. Recomendo. Vale a pena “perder” algumas horas para ter o prazer de assistir a uma história tao envolvente quando à do caderno que mata pessoas.

http://www.animeshade.com/

Publicado por: Nathan | Maio 10, 2009

Nossa “Sorte de Hoje”

      “Sorte de hoje: O grande prazer da vida é fazer o impossível”.

De fato, a humanidade sempre procurou percorrer a trilha do impossível, eterno insatisfeito que é o homem. Quis calor, descobriu o  fogo; quis praticidade, desenvolveu a roda; quis velocidade, projetou os automóveis; chegou aos céus, ao espaço sideral, à Lua! Uma trajetória de sucessos e insucessos que poucos já vieram a pensar o quanto, por trás de tudas essas conquistas, fomos movidos à insatisfação com o estado momentâneo das coisas.

fome2-1Todas essas invenções que antes prometiam trazer-nos a uma realidade mais prática, para uma vida tranquila, agora, numa visão aérea, é fácil notar o quanto estamos subordinados às criações dos gênios, e o quanto elas tornaram esse mundo caótico. Nas ruas, uma multidão cruzando-se como ninguém fosse semelhante, movimentados pelo medo, pela pressa, pelo egoísmo. As nossa vida, em vez de tranquila, tornou-se acelerada, raiz todos os tipos de distúrbios que hoje existem, como stress, depressão, e que antes não passavam de mera frescura.

071126_f_025 O caso é que as coisas chegaram a tal ponto de nossa geração partir pra ignorância . O gosto que querer sempre o impossível leva como enchurrada nossos valores, nossa capacidade de pensar no mal que fazemos ao planeta vivendo nessa rotina instigada de consumo, de inveja, e de má fé quando ao nosso próprio futuro. Será que é tão difícil perceber que chegou a hora de parar? 

Chega de arrastar frases feitas sobre o fim do mundo, aquecimento global, furacão sei-lá-onde. É notável que todos esses costumes que crescemos e fomos vítimas ao longo de nossas vidas estão com os dias contados, assim como nós. Jogar a culpa nos outros todos sabemos fazer muito bem, e não nos damos conta de que estamos, na realidade, apunhalando as próprias costas. Penso que é tarde para uma  proposta para consertar os estragos que foram feitos em nossa natureza, em nosso habitat, e no modo de vida das outras criaturas, que foram ao longo da História sacrificadas pelos costumes fétidos que optamos usar. Tudo na velha intenção de fazer o bem.

Alguma hora, de algum lugar, uma solução terá que brotar para que, dessa vez, possamos fazer verdadeiramente o impossível, o bem de todos, e ter o gosto de pronunciar em nome da humanidade os prazeres da vida.

 

bomba-atomica 12-12_orca

Nathan M. Catolino

Publicado por: Nathan | Abril 29, 2009

Coff Coff & Ronc Ronc,

Se a gripe suína fosse disseminada assim como suas notícias pela internet já estaríamos todos terminalmente contaminados. Porém, infelizmente, não é o caso de dizer que a mídia está sendo sensacionalista e tentando colocar em pânico qualquer um que conheça um turista mexicano. Os riscos de uma pandemia da doença são a cada dia mais crescentes, e os níveis de risco aumentam cada vez que um avião mexicano pousa em algum outro país.

charge-2804O vírus da gripe suína – cientificamente, o H1N1 – é uma combinação das variedades americana e eurasiática, em que provavelmente tenham sofrido mutação devido ao contágio simultâneo das variedades em porcos do México. A recombinação gerou uma espécie mais adaptada dos vírus, que além de passar do animal para humanos, como acontecido com a gripe aviária anos atrás, também pode disseminar-se entre os humanos, através do simples contato com pessoas infectadas, do mesmo jeito que uma gripe comum. As preocupações surgiram exatamente por esses motivos: a simples disseminação devido a capacidade de infecção pelo ar.

Embora matar os porcos não seja uma solução das mais viáveis, o Egito já o fez, na esperança de acalmar – para mim, enganar – a maior população arábica do mundo, que considera o porco um animal amaldiçoado. Quanto a soluções mais racionais, a OMS (Organização Mundial de Saúde) procura o mais rápido possível por uma vacina, e já pediu ajuda, aliás, ao instituto Butantan, que produz 90% das vacinas e soros nacionais e que colaborou com o desenvolvimento da gripe comum, influenciada pelas mudanças de temperatura (daí o nome influenza ao grupo). Afeta a situação saber que a criação de uma vacina demora meses (seis, em planos otimistas). Por isso, o uso de máscaras (embora sua eficácia ainda seja contestada) por pessoas que convivem em locais de risco é altamente recomendado, conforme nos portos que recebem importados mexicanos e estadunidenses, como o Porto de Santos. Se o risco de contágio aumentar, será preciso o fechamento de escolas e locais públicos fechados, assim já dito pelo presidente americano Barack Obama.

Enquanto autoridades tentam encontrar um meio de controlar a prapagação do H1N1 e reverter o quadro de contágio que hoje (29/04/2009) é de nível 5 para o risco de pandemia. Penso que é meio inevitável a propagação da gripe suína pelo planeta, mas acredito que estamos mais preparados para viver uma situação de alastramento de doença. Resta à população conter o pavor de contrair a gripe e tomar cuidados básicos, pois, embora ainda não tenham identificado casos no Brasil, a qualquer momento uma adversidade pode acontecer.

* 30/04/2009:  A disseminação continua! Hoje foi notificado o primeiro caso de gripe suína da América do Sul, no Peru. Os vendedores ambulantes da capital, Lima, deixam o investimento em doces e bebidas para o novo foco: máscaras cirúrgicas. O número de mortos no méxico já subiu para 12, e os casos confirmados são de 95, diferença de apenas 4 pacientes dos Estados Unidos, com 91 casos confirmados. Até quando o Brasil resistirá?

MAIS NOTÍCIAS: A qualquer momento nos portais de notícias G1 e UOL. Paro por aqui.

Publicado por: Nathan | Abril 20, 2009

É proibido fumar, diz o aviso que eu li

O trecho da letra do skank começa finalmente a virar realidade no Brasil, com certo atraso, pra variar. O governo de São Paulo iniciou recentemente uma série de medidas antifumo, a fim de proporcionar o maior bem-estar da população, tanto de fumantes quanto de não fumantes (fumantes passivos) e principalmente desestimular a atividade daqueles que ainda insistem em ser uma chaminé ambulante.

alistair_veryard.01Países como a Inglaterra e os Estados Unidos vêm restringindo cada vez mais o cerco para quem curte ter os pulmões apodrecidos, através de políticas tributárias e legislativas, e agora chegou a vez brasileira no assunto. A primeira medida eficiente foi o aumento dos impostos sobre o preço do cigarro, que aumentaram em 23%. Fato ótimo, uma vez que estudos da OMS (Organização Mundial de Saúde, da ONU) indicam que a cada 10% de aumento na carga tributária sobre o preço do cigarro o consumo diminui 4% nas nações desenvolvidas e o dobro nos países em desenvolvimento. Além do mais, toda a grana arrecadada é investida na previdência social, no seguro-desemprego e na saúde, para poder compensar os infinitos gastos que os fumantes trazem para o Estado. Semana passada os Estados Unidos triplicaram os impostos incidentes sobre o tabaco, que passou de 0,39 dolares o maço para 1,01 dólar. Espetacular. Na União Européia, pelo menos 57% do preço pago pelo maço vai para as contas do governo., tudo isso para investimentos variados na saúde pública.

Outra decisão eficiente foi a do governador de São Paulo, José Serra, que merece os parabéns. Serra propôs o fim dos fumódromos em 2007, e agora seu projeto está apovado e já posto em prática. Nele consta que não é mais permitido acender cigarros em estabelecimentos fechados, como bares, shoppings, e principalmente nos fumódromos, já que é comprovado sua ineficácia em isolar a fumaça. Também não se pode mais fumar debaixo de toldos. O fumo fica restrito para o carro, a casa e o ar livre. Nada muito revolucionário se compararmos com medidas tomadas em Londres no ano passado ou em Nova York em 2003, quando tragar em locais fechados tornou-proibidose proibido. Ainda assim, essa é a lei mais restritiva do Brasil com relação a esse tipo de prática, e se continuar nesse ritmo, não demorará até que se estenda para todo o território nacional. Afinal, é realmente injusto para não fumantes ter que suportar metros cúbicos de fumaça toda vez que vai a um restaurante ou barzinho, que normalmente não respeitam o bom senso de impedir o fumo nos seus interiores. Outro ponto de comemoração dos não fumantes diz respeito à saúde, já que da ponta de um cigarro sai o triplo de nicotina e monóxido de carbono e cinquenta vezes mais substâncias cancerígenas do que entra pela boca do fumante.

Fumar é caro, e será ilegal na maioria dos ambientes em breve. Torço, aliás, para que com o tempo o narguilé seja educadamente inserido em tais regulamentos. Ninguém é obrigado a ser cercado de fumaça quando todo mundo sabe os problemas que isso causa. Fumar hoje em dia é uma questão de inteligência. Nunca se dispôs de tanto conhecimento dos problemas que todos estão envolvidos quando em contato direto ou indireto com a fumaça do cigarro. Também é injusto para os que estão tentando conter seu vício o convivio com pessoas fumantes, tanto no trabalho como no seu próprio condomínio – na Califórnia, a restrição chega a afetar moradores de apartamentos. Não adianta pensar que de uma hora para outra tudo estará resolvido, mas é preciso dar valor a cada passo que a humanidade dá em favor da melhor qualidade de vida. Felizmente, o mundo trabalha em favor do fim dos viciados, para que, quem sabe, ainda que sendo utópico demais, gerações futuras se perguntem quantos mililitros de cérebro a menos tinham seus antepassados, chaminés ambulantes.

obvious_nosmoke_4

Nathan M. Catolino

Publicado por: Nathan | Abril 19, 2009

Onde vai parar o Enem?!

Chocante e inusitada, a brusca mudança que o Ministério da Educação anunciou para o Enem já deste ano talvez seja o início de uma revolução no ensino do Brasil. Há muito que o modelo de seleção dos vestibulares é questionado pela sua alta especificidade e exigência de decorebas sem cabimento. Outro assunto comentado principalmente entre os estudantes é que o modelo agora antigo do exame nacional do ensino médio não constava de conhecimento escolar em peso, mas sim de um tanto de sorte e razoável interpretação. Já estava mais que na hora dessa realidade ganhar um fim – ou pelo menos começar um processo que leve a isso.

Em tons breves, resumindo a nova proposta do MEC para o Enem, tem-se que este ano os estudantes farão uma prova contendo 200 questões abordando quatro áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Exatas e Ciências Humanas) e uma redação, tudo isso dividido em dois dias de testes. O resultado do exame valerá para diversas universidades, inclusive as federais, nas quais o objetivo do governo é a completa abolição do concurso vestibular próprio, unificando, portanto, o sistema de seleção nacional. Isso mesmo, chega de inúmeros vestibulares e taxas exorbitantes cobradas por cada instituição para a realização da prova. Através do novo Enem será possível que o estudante escolha, num sistema semelhante ao ProUni, cinco cursos e cinco universidades do país que desejaria cursar, para então ser avaliado por meio de comparações entre sua nota e a de seus concorrentes no exame.

enem 2009Mas, como nem tudo são flores, pelo menos para as decisões governamentais, várias universidades já questionaram esse novo processo de seleção, e se recusam a aderi-lo, pelo menos esse ano, uma vez que seus vestibulares já estão sendo preparados. O MEC, por conta, deu o prazo de até o final deste mês (abril) para que cada instituição publique oficialmente a maneira de como utilizará as notas do Enem. Algumas, como a UFPR, pretendem manter pelo menos uma fase do seu concurso, a fim de melhor seleção dos candidatos. O governo, que anda fazendo a maior propaganda do seu novo sistema, deixou claro que nas universidades federais o Enem fará parte de algum critério de seleção, quando não o único. E não são somente as federais que estão por aderir a nova medida. Mais de 500 universidades particulares estão entrando na lista dos que terão ainda este ano o novo sistema, lembrando que as estaduais ficam no mesmo critério, optam ou não pela utilização da nota. Além disso, pretende-se a aplicação de mais de uma prova anual, para que os alunos que não surtirem sucesso em uma delas tenham chance de recuperação.

Pode parecer amedrontante, especialmente para quem faz o terceiro ano do Médio agora, uma mudança tão inusitada. Mas na verdade, não é motivo para tanta má impressão assim. Os que já fizeram um Enem sabem o quanto a prova é cansativa, superlotada de textos repetitivos sobre os índios, o aquecimento global e a Amazônia. Ninguém aguentava mais abrir uma prova daquelas e deparar-se com as mesmas coisas. A matemática passava envergonhada pela prova, que quando a pedia, era um probleminha sobre dados, jogo da velha ou sobre as terras de um agricultor. A nova proposta inova nesses quesitos, uma vez que pretende utilizar os ensinamentos adquiridos pelo aluno durante sua formação no Ensino Médio. Calma, isso não quer dizer decorebas como “sen(A + B) = senA.cosB + senB.cosA”, pelo contrário, fórmulas toscas como essa serão dadas na prova. O destino é avaliar a competência do aluno ao usá-las, não em decorá-las.

Penso que essa revolução no Enem – que copia o modelo americano de seleção – seja o início de novos rumos para a educação brasileira. O exame vai exigir mais das salas de aula, e isso tende a melhorar progressivamente o sistema de ensino nacional, formando estudantes mais competentes ao realizar uma prova que exija seus conhecimentos escolares. Outro ponto positivo é que se pode notar a resposta do Brasil frente às críticas que se sucederam ano passado, quando o resultado do Pisa deixou em situação humilhante os universitários brasileiros diante das notas estrangeiras (ver postagem sobre o Pisa, de Agosto passado). Isso mostra que estamos procurando um caminho de melhorias, e o ctrl+v dos modelos que funcionaram é a melhor maneira de administrar essa situação.

Maiores resultados poderão ser avaliados numa questão de tempo. Sinceramente torço muito para que esse novo rumo seja o motivo de orgulho pelo desenvolvimento do país, que tanto peca com a educação. E se for notado que não valeu a pena, o jeito é procurar uma construção mais sólida. O que vale é sair da mesmice.

 

 

Nathan M. Catolino

Publicado por: Nathan | Abril 10, 2009

Feliz Páscoa

Ganhar um ovo de chocolate é o suficiente para você? Não estou esperando uma resposta como “não, ganhar dois seria melhor!”.

ch_1375

Quando os feriados vão se aproximando é natural que todos vivamos a expectativa de desenvolver o ócio por três breves dias, saboreando delícias do cacau. O feriado chegou, e o que menos importa são os chocolates. Você já parou para pensar no quanto o mundo está desorganizado, desunido, abalado por desastres, fome, miséria, desprezo, e tantas outras adversidades, enquando a sua pessoa não faz nada a não ser contribuir para o caos?

A Páscoa é – ou deveria ser – para os cristãos um período de renovação, um momento único para repensar nas atrocidades que temos feito e tomar novos rumos a partir da segunda-feira. Se tudo isso fosse uma mentira, o tão caro ovo da páscoa não seria um ovo, símbolo do nascimento, do recomeço. O coelho, símbolo da fertilidade, poderia muito bem ser a analogia da propagação de novos ideais ao planeta. Seria bom se fosse.

Quando abrir seu ovo de chocolate, pelo menos deseje o renascimento para alguém.

Publicado por: Nathan | Março 28, 2009

Queimem as bruxas

De que adiantam todos os avanços da humanidade quando nos é indicado voltar à Era Medieval? Embora ultrapassado (nunca tenho tempo pra escrever sobre as coisas em dia), tenho a necessidade de comentar sobre as últimas da Igreja Católica que explodiram nesse mês de março.

Começando pelo menos abrangente: o caso da menina de nove anos que ficou grávida de gêmeos, através do estupro do próprio padrasto, e abortou os fetos. Incompreendido da gravidade da situação, que envolvia a saúde da própria menina – ninguém espera muita resistência por parte de uma criança de nove anos de 36kg, não é mesmo? –, o bispo d. José Cardoso Sobrinho excomungou da Igreja Católica todos os responsáveis pelo aborto. O padrasto da menina, como nada tem a ver com o ato, ficou impune das críticas do bispo. A situação, é claro, começou a pesar depois de pronunciamentos por parte do ministro da saúde e do presidente Lula, que condenaram a atitude do bispo, já que se tratava de um caso de risco de vida da menina. O Papa, que não fica fora de nenhuma discussão pendente aos seus interesses, alegou alguns dias depois que o vaticano não condena o aborto que envolta a saúde da grávida. Pronto, já temos uma contradição dentro da própria Igreja. Lembrando que por lei (um recurso dos homens, sem interferências divinas), o aborto terapêutico é totalmente autorizado.

Segundo caso: O Papa Bento XVI na África. Todos já se cansaram de ouvir sobre os imensos problemas do continente com relação à AIDS. Dois terços dos infectados concentram-se lá, e 75% dos óbitos africanos acontecem devido a esse vírus. Em visita a esse mundo, o pontífice fez questão de abominar o uso de camisinha em se tratando de prevenção à doença. Enquanto você estaria agora pensando “e vai ser um oba-oba sem proteção? A AIDS vai tomar o planeta!”, nosso querido papa já tinha a solução: recomendou a fidelidade no casamento e a castidade, ou seja, que os casais façam sexo somente para ter filhos, chega de sexo por prazer. É bem visível que essa i said nomoda vai pegar entre os africanos, quando muitos, na verdade, nem católicos são! Mas é lógico que isso não ficaria avulso às divulgações do vaticano, não é mesmo?! Foi recomendado também que os católicos da África propaguem a religião e combatam a bruxaria e os maus espíritos. Depois dessa, certamente, os problemas da região mais miserável do mundo estarão resolvidos. Ha sim, vale lembrar que depois disso um bispo português aconselhou o uso de camisinhas por soro positivos…

Por quanto tempo teremos que conviver com um sistema de dogmas que já ultrapassou em muito nossos tempos? Desenvolvemos leis, tecnologias e métodos para conter o avanço de doenças, para procurar curas, proteger o Estado. Da última vez que aconteceram contradições na Igreja Católica, devido ao avanço do protestantismo, do mercantilismo e do comportamento dos clérigos, a “solução” encontrada foi a reativação do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) na Contra-Reforma. Felizmente, para nós cristãos, isso não deve voltar à tona. Saber-se-á agora o que vão inventar para manter um número considerável de fiéis sem alterar certas regras. Uma coisa é evidente: o poder de persuasão do vaticano andam nas casas negativas depois disso tudo.

São tantos casos que se transformam em conflitos com a Igreja – padres pedófilos dos Estados Unidos, pesquisas com células-tronco embrionárias, etc. – que já nem sabemos mais em que acreditar, se acreditamos no progresso humano, nas tecnologias, ou em entidades que ao longo da História desdobraram uma trajetória de mentiras.  Serão, certamente, conflitos eternos entre o Homem e as divindades. Por esses motivos, quem sabe, que tantos ateus e tantas outras religiões cristãs estejam surgindo por aí. Talvez não seja a descrença com relação à existência de uma Força Maior, mas o conjunto de decepções que o velho sistema nos revela diariamente.

 

 

 

Nathan M. Catolino

 

 


obs.: A imagem presente nesta postagem consta de uma manifestação francesa ironizando as atitudes do papa.

só um complemento:

124

 

Publicado por: Nathan | Março 15, 2009

Engolindo a Lei Seca

Engolida, praticamente digerida, quase saindo pela porta de trás. A Lei Seca, que tanto apavorou e polemizou o segundo semestre do ano passado, está caindo no esquecimento. E não duvido nada de que seja arquivada na memória da maioria da população antes mesmo de fazer aniversário. Tanto que você, leitor, se já não a infringiu, certamente já presenciou uma cena dessas.

Vários prováveis – e até evidentes – motivos demonstram falhas na Lei Seca, a começar por ela mesma. A medida implica que nenhum motorista poderá dirigir após consumir uma gota se quer de álcool, um adorável bombom de licor já é o considerado suficiente para que um indivíduo, talvez voltando pra casa depois de um xadrez com os amigos e uma doce sobremesa, seja devidamente multado, acusado de “motorista alcoolizado” por um aparelho que tem uma margem de erro próxima aos limites. Isso mesmo, o bafômetro (instrumento que calcula a quantidade de álcool por mililitro de sangue no corpo, usado pelos policiais para multar ou prender motoristas bêbados nas blitz) contém uma margem de erro próxima aos 0,2mg/ml de sangue, o que torna até mesmo injustas algumas medições.

Outro ponto importante é a implantação da Lei no país. Tudo fogo de palha. No começo a polícia estava pelas ruas, com ou sem bafômetro, para intimidar aqueles que fingiam não saber das novas regras. O número de acidentes causados por pessoas alcoolizadas no volante diminuiu consideravelmente, já em agosto passado. Mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu nos meses seguintes, com o tempo, tudo volta ao normal. Todo mundo sacou que a quantidade de bafômetros disponíveis era mínima, já que o governo não liberou muitos, e o alvoroço foi passando, fazendo a happy hour voltar às normalidades. Hoje, o número de pessoas preocupadas em pegar um taxi depois de sair às três da manhã de uma balada é consideravelmente pequena. Quais são as probabilidades de topar com a polícia, ser parado e contar com o azar deles possuírem um bafômetro em mãos? Não preciso nem dizer, se contarmos a quantidade de boates que tem numa cidade grande, onde o fisco é mais provável. Talvez por isso, só em Curitiba, 42% dos motoristas têm a cara de pau de afirmar que nunca levou a sério essa lei.

Unir o útil ao agradável é difícil numa situação dessas. Porém, apesar das inúmeras falhas da Lei Seca, todos nós temos consciência – eu espero – das consequências possíveis de sair dirigindo por aí alcoolizado, fora do controle. Os noticiários provam isso todos os dias. É excessivamente chato sair de uma balada ou de um barzinho e ter que largar o carro para pedir outro meio de transporte até sua casa, ainda assim, eu preferiria sair de taxi a sair de ambulância desse lugar. Acredito que compense seguir certas regras. Uma lei não é aprovada a toa e, sabendo que traz benefícios visíveis à toda comunidade, é importante que cada um cumpra seu papel de cidadão ao segui-la. Querendo ou não, essa Lei Seca que ameaça cair no esquecimento precisa ser engolida e absorvida.

 

 

 

 

 

Nathan M. Catolino

 

Publicado por: Nathan | Março 13, 2009

“Especial é pouco. O que procuro tem que ser essencial”

Rotina cansativa é pouco para definir o ciclo de estudos que vivo desde o início do mês (tudo por um objetivo! Ainda vou escrever sobre bons resultados quando chegar a hora). A Internet voltou ao meu dia a dia só agora, em pra variar, não resta muito tempo para o Mols de Xisdê! Uma pena, porque parece que quando não posso escrever é que aparecem as melhores ideais e motivos para isso. 

Deixando os dramas de lado, estou escolhendo voluntários (aham, exatemente esse paradoxo todo) para dar uma força nas atualizações. Essa é a primeira vez que isso acontece! O texto seguinte foi enviado voluntariamente por uma leitora e amiga:

 

 

 ”Especial é pouco. O que procuro tem que ser essencial”

 

 

Hoje parei e pensei: pra quê servem os amigos? De onde eles vêm?

É curioso notar, mas você já reparou como a maioria das pessoas tem facilidade em fazer amizades? Às vezes por uma horinha de descuido você se pega falando com um desconhecido que logo vira seu amigo de infância. Isso sem contar aqueles que além de infância viram amigos íntimos em três dias de conversa.

            Será essa uma característica do povo brasileiro ou uma característica pessoal? Pesquisas apontam que isso ocorre, muitas vezes, por que precisamos consciente ou inconscientemente suprir uma carência interna. Quando saímos de uma convivência com muitas pessoas e passamos a viver sozinhos é que começamos realmente perceber essa carência.

            Às vezes ela é fácil de ser notada, por exemplo, acontece alguma coisa com você, e você acha esse acontecimento um máximo, mas de uma maneira inesperada você “se liga” que não tem ninguém ali pra você contar o seu acontecimento. Isso fica guardado no seu inconsciente, que por sua vez, só esta esperando o momento certo para passar o fato para alguém, e quando você nota, esse alguém é um desconhecido da fila de supermercado ou alguma pessoa que esteja, sem um por que, ali na sua frente e acaba escutando e simpatizando com a situação. Pronto, inicio de uma amizade feita. Pode ser passageira, mas pode ser duradoura, isso, a convivência é quem dirá.

            E aqueles super amigos que, de uma forma ou de outra, você acabou perdendo. Você já parou pra pensar como eles fazem falta, e que ninguém, absolutamente ninguém, supre a falta deles? Podem vir amigos novos, colegas, mas aquele bom e velho amigo é pra sempre. Aquele amigo, que é o maior pilantra e que sua mãe acha que é “O” melhor. Aquele com quem você já riu, chorou, brigou e até bateu, mas que não é apenas especial é essencial. Aquele mesmo que você ia toda tarde, quando ele não estava na sua casa, na casa dele, e que rolava na terra com você, brincava de bola, implicava com os outros, tomava aqueles sucos que vinham em embalagens de plástico de vários modelos, é, esse suco mesmo, azul, amarelo, vermelho, doce como mel.

            Mas também tem aqueles que não são de anos, e sim de meses. Aqueles que por algum motivo se tornam essenciais, que até te convencem a escrever uma matéria pro blog deles. Ou também aqueles que ficam acordados até as três da madrugada abrindo o seu blog. Ou até mesmo ficam jogando conversa fora. Aqueles que você tem vontade de MATAR, mas que você ama acima de tudo. Esses sim valem a pena. Por esses sim, a gente da a cara pra bater. Sobre esses, a gente não permite que falem mal, por que criamos uma super fantasia colocamos neles, para guardá-los para sempre em uma parte da carência que existia por dentro de nós.

            Bom, a realidade é essa, quem não tem amigos, não tem absolutamente nada. A vida seria MUITO chata sem eles. Por isso, eu finalizo esse texto com uma frase que eu amo, e ela diz: “AMIGOS SÃO COMO ESTRELAS. NÃO OS VEMOS SEMPRE, MAS SABEMOS QUE EXISTEM”.

 

 

 

                                                                                              Melyna Algayer Calixto

 

Obrigado, Mel, pela sua contribuição.

Postagens Antigas »

Categorias